Dr. FREUD, A PSICANÁLISE E OS CIENTISTAS

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Dr. FREUD, A PSICANÁLISE E OS CIENTISTAS

O desenvolvimento da ciência foi grandioso no século XIX. Por essa razão, esse período ficou conhecido como o século das Ciências. A raiz do termo ciência vem da palavra em latim scientia, que significa erudição, conhecimento desenvolvido a respeito de algo.

Muitas descobertas e avanços foram registrados no século XIX em diversas áreas importantes, como a filosofia, as ciências naturais, a física e a medicina. Um marco do século XIX foi à criação das Associações para o Progresso da Ciência na Inglaterra e nos Estados Unidos. As publicações científicas também aumentaram, principalmente na Europa.

A pesquisa científica avançou no século XIX a partir de um processo de racionalização. Os grandes feitos da ciência nesse período foram influenciados pela Revolução Francesa e pela Revolução Industrial.

Física, Química, Metalurgia, Sociologia, Psicologia, Psiquiatria e Psicanálise também avançaram nesse século. Além disso, o período impulsionou a criação de museus e escolas politécnicas.

Medicina

O desenvolvimento da medicina se relaciona diretamente com a migração, superlotação das cidades e as precárias condições de vida da classe trabalhadora própria da Revolução Industrial. A sua consequência foi a proliferação das doenças infecciosas (sífilis, tuberculose) ou relacionadas com a má alimentação (pelagra, raquitismo, escorbuto). Esses problemas são cruciais para entender a origem da medicina social de Rudolf Virchow. Rudolf Ludwig Karl Virchow (1821-1902), foi um médico e político polonês. É considerado o pai da patologia moderna e da medicina social, além de antropólogo e político liberal.

O século XIX verá nascer à medicina experimental de Claude Bernard. Claude Bernard (1813-1878), foi um médico e fisiologista francês. O historiador da ciência I. Bernard Cohen da Universidade de Harvard denominou-o “um dos maiores homens de ciência de todos os tempos”. É conhecido fundamentalmente pela criação da medicina experimental baseada em evidências.

Os Cientistas

Charles Darwin (1809-1882) foi um naturalista britânico famoso por convencer definitivamente a comunidade científica da existência da evolução das espécies, com uma teoria para explicar o processo: a seleção natural. A teoria tornou-se a base central da explicação de diversos fenômenos biológicos. Em seu livro de 1859, “A Origem das Espécies” ele introduziu a ideia de evolução a partir de um ancestral comum, por meio de seleção natural. Esta se tornou a explicação científica dominante para a diversidade de espécies na natureza.

Gregor Mendel (1822-1884) foi um monge agostiniano, botânico e meteorologista austríaco. Durante sua vida, publicou dois grandes trabalhos, hoje clássicos: “Ensaios com plantas híbridas” e “Hierácias obtidas pela fecundação artificial”. Formulou as leis da hereditariedade genética, que regem a transmissão de caracteres hereditários, hoje conhecidas como Leis de Mendel. É conhecido como o pai da genética.

Louis Pasteur (1822-1895) foi um cientista francês, autor de descobertas de grande importância na história da química e da medicina, como causas e prevenções de doenças. Criou a primeira vacina contra a raiva, reduziu a mortalidade por febre puerperal, e ficou mais conhecido por inventar um método para impedir que leite e vinho causem doenças, hoje conhecido como pasteurização. Foi um dos principais fundadores da microbiologia.

Nikola Tesla (1856-1943) nasceu num território da atual Croácia, e foi súdito do Império Austríaco. Foi um inventor nos campos da engenharia mecânica e eletrotécnica. Ficou muito conhecido por suas muitas contribuições revolucionárias no campo do eletromagnetismo, e seu trabalho teórico forma as bases dos sistemas modernos de potências elétricas e correntes alternadas – bases que ajudaram na introdução da Segunda Revolução Industrial.

Albert Einstein (1879-1955) foi um físico teórico alemão, que tornou-se mundialmente conhecido após a formulação da teoria da relatividade geral, algo pouco comum para um cientista. Visto como sinônimo de gênio, em seus últimos anos sua fama excedeu a de qualquer outro cientista na cultura popular. Seu trabalho teórico possibilitou o desenvolvimento da energia atômica, apesar dele próprio não ter previsto tal possibilidade.

Max Planck (1858-1947) foi um físico alemão. É considerado o pai da Física Quântica e um dos físicos mais importantes do século XX. Suas descobertas deram nascimento a um campo totalmente novo na física moderna, a base para a investigação de áreas pouco exploradas até então, como a energia nuclear.

Dr. Freud e a Criação da Psicanálise

Sigmund Freud (1856-1939) foi um médico neurologista e criador da psicanálise. Freud nasceu em uma família judaica, em Freiberg in Mähren, na época pertencente ao Império Austríaco.

Freud iniciou seus estudos pela utilização da técnica da hipnose no tratamento de pacientes com histeria, como forma de acesso aos seus conteúdos mentais. Ao observar a melhora dos pacientes tratados pelo médico francês Jean-Martin Charcot, elaborou a hipótese de que a causa da histeria era psicológica, e não orgânica. Essa hipótese serviu de base para outros conceitos desenvolvidos por Freud, como o do inconsciente.

Freud também é conhecido por suas teorias dos mecanismos de defesa e repressão psicológica e por criar a utilização clínica da psicanálise como tratamento das psicopatologias, através do diálogo entre o paciente e o psicanalista. Freud acreditava que o desejo sexual era a energia motivacional primária da vida humana. Sua obra fez surgir uma nova compreensão do ser humano, como um animal dotado de razão imperfeita e influenciado por seus desejos e sentimentos.

Suas teorias e seus tratamentos foram controversos na Viena do século XIX, e continuam a ser muito debatidos hoje. Sua teoria é de grande influência na psicologia atual e é frequentemente, discutida e analisada como obra de literatura e cultura geral. Freud tinha uma visão biopsicossocial do ser humano.

Método Psicanalítico

Psicanálise é um campo clínico e de investigação teórica da psique humana independente da Psicologia, que tem origem na Medicina, desenvolvido por Sigmund Freud.

Freud, médico neurologista austríaco, propôs este método para a compreensão e análise do homem, compreendido enquanto sujeito do inconsciente, abrangendo três áreas:

  1. Um método de investigação do psiquismo e seu funcionamento;
  2. Um sistema teórico sobre a vivência e o comportamento humano;
  3. Um método de tratamento caracterizado pela aplicação da técnica da Associação Livre.

Essencialmente é uma teoria da personalidade e um procedimento de psicoterapia; a psicanálise influenciou muitas outras correntes de pensamento e disciplinas das ciências humanas, gerando uma base teórica para uma forma de compreensão da ética, da moralidade e da cultura humana. Em linguagem comum, o termo “psicanálise” é muitas vezes usado como sinônimo de “psicoterapia” ou mesmo de “psicologia”.

A Mente Humana

Em suas teorias, Freud afirma que os pensamentos humanos são desenvolvidos por processos diferenciados, relacionando tal ideia à de que o nosso cérebro trabalha essencialmente no campo da semântica, isto é, a mente desenvolve os pensamentos num sistema intrincado de linguagem baseada em imagens, as quais são meras representações de significados latentes. Em diversas obras, como “A Interpretação dos Sonhos”, “A Psicopatologia da Vida Cotidiana” e “Os Chistes e suas Relações com o Inconsciente”, Freud não só desenvolve sua teoria sobre o inconsciente da mente humana, como articula o conteúdo do inconsciente ao ato da fala, especialmente aos atos falhos. Para Freud, a consciência humana subdivide-se em três níveis: Consciente, Pré-Consciente e Inconsciente – o primeiro contém o material perceptível; o segundo, o material latente, mas passível de emergir a consciência com certa facilidade; e o terceiro contém o material de difícil acesso, isto é, o conteúdo mais profundo da mente, que está ligado aos instintos primitivos do homem.

Os níveis de consciência estão distribuídos entre as três entidades que formam a mente humana, ou seja, o Id, o Ego e o Superego.

Divisão do Inconsciente

Freud procurou uma explicação à forma de operar do inconsciente, propondo uma estrutura particular. No primeiro tópico, recorre à imagem do iceberg em que o consciente corresponde à parte clara, e o inconsciente corresponde à parte não visível, ou seja, à parte submersa do iceberg. De sua teoria, ele estava preocupado em estudar o que levava à formação dos sintomas psicossomáticos (principalmente a histeria, por isso apenas os conceitos de inconsciente, pré-consciente e consciente eram suficientes). Quando sua preocupação se virou para a forma como se dava o processo da repressão, passou a adotar os conceitos de id, ego e superego.

O Id

O id representa os processos primitivos do pensamento e constitui, segundo Freud, o reservatório das pulsões, dessa forma toda energia envolvida na atividade humana seria advinda do Id. Inicialmente, considerou que todas essas pulsões seriam ou de origem sexual, ou que atuariam no sentido de autopreservação. Posteriormente, introduziu o conceito das pulsões de morte, que atuariam no sentido contrário ao das pulsões de agregação e preservação da vida. O Id é responsável pelas demandas mais primitivas e perversas.

O Ego

O Ego, permanece entre ambos, alternando nossas necessidades primitivas e nossas crenças éticas e morais. É a instância na que se inclui a consciência. Um eu saudável proporciona a habilidade para adaptar-se à realidade e interagir com o mundo exterior de uma maneira que seja cômoda para o id e o superego.

O Superego

O Superego, a parte que contra-age ao id, representa os pensamentos morais e éticos internalizados.

Freud estava especialmente interessado na dinâmica destas três partes da mente. Argumentou que essa relação é influenciada por fatores ou energias inatas, que chamou de pulsões. Descreveu duas pulsões antagónicas: Eros, uma pulsão sexual com tendência à preservação da vida, e Tânato, a pulsão da morte, que levaria à segregação de tudo o que é vivo, à destruição. Ambas as pulsões não agem de forma isolada, estão sempre trabalhando em conjunto. Como no exemplo de se alimentar, embora haja pulsão de vida presente, afinal a finalidade de se alimentar é a manutenção da vida, existe também a pulsão de morte presente, pois é necessário que se destrua o alimento antes de ingeri-lo, e aí está presente um elemento agressivo, de segregação.

Os estágios psicossexuais do desenvolvimento

Teoria freudiana sugere que, como as crianças se desenvolvem, eles progridem através de uma série de estágios psicossexuais. Em cada fase, a energia da busca do prazer da libido é focado em uma parte diferente do corpo.

As cinco fases de desenvolvimento psicossexual são:

  1. Estágio Oral: As energias libidinais estão focadas na boca.
  2. Estágio Anal: As energias libidinais estão focadas no ânus.
  3. Estágio fálico: As energias libidinais estão focadas no pênis ou clitóris.
  4. Estágio de latência: Um período de calma em que pouco interesse libidinal está presente.
  5. Estágio Genital: As energias libidinais estão focadas nos genitais.

A conclusão bem sucedida de cada ligação estágio é de uma personalidade saudável como um adulto. Se, no entanto, continua por resolver um conflito em qualquer fase em particular, o indivíduo pode permanecer fixado ou preso nesse momento particular do desenvolvimento. A fixação pode envolver uma dependência excessiva ou obsessão com algo relacionado a essa fase de desenvolvimento. Por exemplo, acredita-se que uma pessoa com uma “fixação oral” para ser preso no estágio oral de desenvolvimento. Os sinais de uma via oral de fixação podem incluir uma dependência excessiva de comportamentos orais, tais como tabagismo, unhas cortantes ou comer.

Conclusão

A influência que Freud exerceu em várias correntes da ciência, da arte da cultura e da filosofia foi enorme. A importância de Sigmund Freud para a ciência é inquestionável. Sua obra para o bem-estar da humanidade é monumental.

O Professor, Dr. Sigmund Freud foi um dos homens mais abertos e lúcidos do final do século XIX e começo do século XX, que com valentia se atreveu a escandalizar a sociedade dominante de seu tempo, sendo uma referência para muitos dos psicólogos da atualidade, e deixando para a posterioridade o célebre estudo da mente criador da psicanálise.

Sigmund deixou uma grande quantidade de obras para a posterioridade. E, mesmo que muitas das suas leis tenham sido rebatidas em momentos posteriores, é evidente que sua mente brilhante deixou a semente para o que hoje conhecemos melhor em nosso cérebro e dos nossos anseios mais profundos.

O ego humano, o super-ego e o id se mantêm destacados como o mais brilhante de sua extensa obra, que se converteu em uma incrível e apaixonante viagem pela mente humana. Seus estudos sobre a sexualidade, a psicanálise, a neurose, a religião, a fantasia, a histeria, a moral, a repressão ou a família são todos de uma grande genialidade. Hoje Sigmund Freud segue sendo um das mentes mais claras e atrevidas de nossa civilização. Por isso, sua obra jamais deixará de ser estudada, e suas ideias sempre serão fonte de inspiração para as futuras gerações.

Da modernidade a pós-modernidade, das mentes brilhantes, de abissal intelectualidade, de genial criatividade, não há dúvida, Dr. Freud foi uma das maiores e vai continuar sendo pelo seu legado que prova o crescimento de seus discípulos, sua ortodoxia científica, publicações de suas obras e o bem maior que faz a psicanálise: cura, libertação, autoconhecimento, autoaperfeiçoamento, real sentido da vida e saúde física e emocional. É de suma importância que as autoridades do Governo Federal, Estadual e Municipal possam empreender investimentos no profissionalismo psicanalítico em prol da qualidade de vida psíquica para evitar tragédia no contexto da família e da sociedade.

“Eu comecei a minha atividade profissional como um neurologista tentando trazer alivio para os meus pacientes neuróticos. Sob a influência de um amigo mais velho e por meus próprios esforços, descobri alguns fatos novos e importantes sobre o inconsciente na vida psíquica, o papel dos impulsos instintivos, e assim por diante. A PARTIR destas descobertas surgiu uma nova ciência, a psicanálise, um novo ramo da psicologia, e um novo método de tratamento das neuroses. Eu tive que pagar caro por isso e tive também um pouco de sorte. As pessoas não acreditam nos meus fatos e pensam que minhas teorias são desagradáveis. A Resistência era forte e implacável. No final, consegui conquistar discípulos e criar uma Associação Psicanalítica Internacional. Mas a luta ainda não acabou”. (ENTREVISTA A BBC 1938 – Sigmund Freud).

Dr. A. Inácio José do Vale

Psicanalista Clínico

Professor e Conferencista

Membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise Contemporânea/RJ. E da Ordem Nacional dos Psicanalistas/RJ.

E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com

Fontes:

https://hypescience.com/10-logotipos-dos-cientistas-mais-famosos-do-mundo/

https://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A9culo_XIX

https://pt.wikipedia.org/wiki/Psican%C3%A1lise

http://psicoativo.com/2016/07/teorias-de-freud-resumo-teorias-freudianas.html

https://amenteemaravilhosa.com.br/sigmund-freud-biografia-mente-brilhante

http://blogdodanielphilos.blogspot.com.br/2013/03/a-entrevista-de-freud-na-bbc.html

Noções básicas de Psicanálise – Charles Brenner – Editora Imago 5a. Edição.

Rapaport, D. A estrutura da teoria psicanalítica (Estudos n 75). SP. Perspectiva, 1982.

Souza, P. C. As palavras de Freud, o vocabulário freudiano e suas versões. SP, Companhia das Letras, 2010.

Hothersall, D. História da psicologia moderna. SP. McGraw-Hill, 2006.

Ferreira Netto, G. A. Wim Wenders: psicanálise e cinema. SP, Editora: Unimarco, 2001.

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